Wednesday, April 11, 2007

A História da Princesa Má (Zambujeira do Mar)


Era uma vez uma princesa muito má para os pais, aias e criados. Quando saía do castelo era mal educada para com os populares que a saudavam, no reino ninguém gostava dela por causa da sua maldade.

Os reis muito tristes com as atitudes da filha reuniram as fadas e os conselheiros reais afim de procurar solução para o caso da menina má. Quando estavam na reunião a fada do Bem pediu autorização para levar a princesa para o seu «Palácio Encantado», pois aí lhe daria uma boa lição e a transformaria numa pessoa de bem. Os pais deixaram-na ir!

Chegada ao palácio no interior do Palheirão, ficou muda perante tanta beleza, pois este é todo revestido de conchas de madrepérola e corais, com lagos onde brincam pequeninos peixes de lindas cores, e jardins onde esvoaçam borboletas de asas de ouro!

Apesar de tanta admiração perante tanta beleza, a sua cabecita má, começou logo a arquitectar um plano maquiavélico para se vingar da fada madrinha, porém os seus intentos caíram por terra ao ver-se completamente só, apenas uma sombra a acompanhava, à noite ouvia o barulho das ondas do mar a desfazerem-se no Palheirão chorava de medo, por fim começou a suplicar que a tirassem de lá, pois passaria a ser boa para todos.

Um grande temporal aliado à fúria das ondas arrasta um barquinho para as proximidades do Palheirão, o pescador que nele seguia ouvir o choro da princesa julgou ser um náufrago aflito, subiu o rochedo não viu ninguém, porém agora ouvia mais nitidamente o choro, impressionado e impotente pôs-se a chorar, uma cegonha que sobrevoava aquela zona ao ver as lágrimas no rosto do jovem, puxou com o bico a argola que abria a porta secreta sob um tufo de algas, aberta mesma introduziu o rapaz, ficando este extasiado com tudo o que viu, em especial com a beleza da jovem que tinha perante os seus olhos.
Ajudados pela cegonha, após a princesa jurar solenemente que jamais seria má, os jovens foram para o castelo real, os reis ficaram muito felizes com a chegada da filha, fizeram uma linda festa, a que assistiram as fadas e o povo, o pescador aproveitou o ensejo e pediu a princesa em casamento, deixando o rei muito feliz e honrado com o seu pedido pois sabia que todo esse plano fora arquitectado pela fada madrinha.

O casamento realizou-se ao fim de poucos dias, à cerimónia além de todo o reino e das fadas assistiram os reis dos países vizinhos, e para surpresa de todos vindos dum reino muito distante vieram os pais do noivo, que ao ver o filho ficaram muito felizes pois perderam as esperanças de voltar a ve-lo porque todos os marinheiros que o acompanharam na expedição em que se perdeu, regressaram ao país sem noticias suas. Foi um dia muito lindo!

Os principes foram muito felizes graças à lição que lhe deu a fada madrinha. A Cegonha após cumprir a missão voltou para a Zambujeira do Mar onde embora muito velhinha, guarda a porta do palácio encantado no interior do palheirão e conta a história da princesa má aos pentanetos dos seus pentanetos.

da mirrósa


in http://www.saoteotonio.net/lendas.html




Monday, April 9, 2007

Monte das Sete Chaminés (Milfontes)

Os Escalabardos e o Homem-Serpente (Vila Nova de Milfontes)

Os escalabardos são bichos com uns olhos grandes, que todas as noites, empoleiram-se nos muros das casas a espreitar pelas janelas. Têm fama de assustar as pessoas, principalmente as crianças que não comem tudo ao jantar.


O Homem-Serpente é um ser que se esconde nos canaviais da zona até ao sol nascer. Espera pelas suas vítimas: pessoas que vão para as suas (deles) casas sozinhas, todas as madrugadas. Geralmente o Homem-Serpente tem apetite por pessoas frágeis e medrosas.

Sunday, April 8, 2007

Zona dos Medos (Vila Nova de Milfontes)

Esta zona que abarca a zona dunar junto ao farol de Milfontes e o casario por detrás do Bar Turco é assim chamada devido às noites serem assustadoras. Conta-se que em certas noites apareciam homens a arrastar correntes pelo chão. Ouvia-se o barulho das correntes. Outras aparições dignas de nota são as de homens e mulheres, também à noite, em panos ou túnicas brancas. Tudo na zona dos Medos.

Saturday, April 7, 2007

Historia da Cobra que Aparecia à Noite (Concelho de Odemira)

Em certas noites uma cobra descia do telhado de uma casa e ia ter com uma senhora, no quarto, onde estava deitada com uma bebé: a sua filha.
A cobra aproximava-se da mãe e mamava-a. Logo a seguir um homem encontrou a cobra no telhado e conseguiu matá-la.

História gentilmente cedida pela Dona ?

Apesar de curta, esta história remete para o simbolismo fálico da cobra que busca o ser feminino. É muito comum em várias regiões do país.

Tuesday, April 3, 2007

Ermida da Cela e Angra da Cerva (Milfontes e Limites da Freguesia do Cercal)

Segundo o professor e historiador António Martins Quaresma existe uma ermida abandonada no limite da freguesia do Cercal do Alentejo (Ermida da Cela) que foi retiro de um Frei Bernardino. Esse frade fugiu de Xabregas, do bulício da corte para se dedicar à contemplação da natureza e à meditação. Conta-se que estava sempre enfiado na Angra da Cerva: uma baía ou enseada pequena de difícil acesso, a norte do Porto das Barcas, que proporcionava um enorme misticismo.
Junto a ermida de Santo António da Cela, havia casas anexas, onde viveram alguns frades.

Mais recentemente a ermida da Cela foi reconstruída por uma família de ingleses, nos anos 80, que também se entregava à natureza e às coisas simples da vida...Dessa família fazia parte um escritor, mas pouco se sabe, porque voltaram para o Reino Unido.


A Angra da Cerva é o sítio onde nos meus sonhos coloco um castelo negro com torres bem altas. Talvez os rochedos enormes ajudem a essa ligação que faço. É de notar que para além de ser dos poucos sítios em Portugal onde há esse nome (cerva ou cervo), a cerva era o animal que acompanhava a Deusa Diana nas caçadas, em busca dos pastores solitários. Logo a cerva está ligada ao lunar, à noite e ao telúrico. Será que Frei Bernardino ia em busca da Anima perdida? Realmente aquele sítio tem muito de locus horribilis e de tremendus. Sente-se o abismo e a entrada num outro mundo. Como se houvesse ali uma porta para outra dimensão.

Sunday, April 1, 2007

Mar-de-Leva (texto dedicado à vila de Sines)

chegaram as máquinas para talhar a cidade que vem
das águas cresce a obra do homem, ouve-se um lento grito d'espuma e suor
na memória ficaram os sinais dos bosques ceifados, as dunas desfeitas e algumas
casas abandonadas
estenderam-se tubos prateados, onde escorre o negro líquido
levantaram-se imensas chaminés, serpenteiam auto-estradas na paisagem
irreconhecível do teu rosto

onde estarão as tâmaras maduras de tuas palmeiras?
e o perfume intenso das flores debruçando-se ao sol?
que murmúrio terão as pedras do teu silêncio?

a memória é hoje uma ferida onde lateja a Pedra do Homem, hirta como
uma sombra num sonho
e as aves? frágeis quando aperta a tempestade...migraram como eu?
aonde caminhas, Doce Moura Encantada?

ouço o ciciar dos canaviais dentro do sono, adivinho teu caminhar de beijos
no rumor das águas
tuas mãos de neve recolhem conchas, estrelas secretas, luas incendiadas...
que o mar esconde na respiração das marés

estremecem-me nas mãos os insectos cortantes do medo, em meu peito
doído ergue-se esta raiva dos mares-de-leva


Al Berto