Wednesday, January 30, 2008

Personagens de Milfontes I - "Auuu"

O "Auuu" - foto de Pedro Marco


Hoje começo por escrever sobre uma personagem singular da vila que é Milfontes. Trata-se do "Auuu".
Nasceu com uma doença mental que o impossibilita de falar normalmente e de andar bem. O seu trajecto é sempre entre São Luis e Milfontes. Anda sempre pela estrada com um carrinho de mão. Age como uma criança inocente e ingénua. Qual Parsifal dos mitos arturianos!...O "Auuu"muitas vezes entra pelas casas de Milfontes dentro e dorme nos quintais. Para quem vai pela primeira vez a essa localidade, pode assustar-se com este simpático homem, mas os habitantes já lhe têm uma longa ternura e amizade. Qual é o jovem de Milfontes que não gosta de dar um abraço fraterno ao "Auuu"? Todos lhe têm estima.
Muitas vezes há quem o apanhe na estrada para Lisboa, com o seu carrinho de mão. Não sei a origem ao certo dele nem o nome de nascimento.
Ninguém esquece as noites frias de inverno, em que não há ninguém na rua, e de repente, ouve-se uma espécie de uivo de sofrimento, pelas ruas e o som pesado dos sapatos em largas passadas...O andar e o sentir de alguém que não tem culpa de ter nascido assim e que está ligado àquele mar; àquelas dunas e que pode muito bem tornar-se um mito do concelho de Odemira, enraizado no inconsciente e nas vivências daquele povo.

Saturday, January 26, 2008

Monte das Pousadas Novas

O autor do blogue junto ao Monte das Sete Chaminés ou Monte das Pousadas Novas. Uma casa a fazer lembrar as estalagens onde o Dom Quixote ia parar, depois das suas aventuras...

Os canaviais que quase escondem esta casa da vista humana...


Este monte alentejano, em ruínas, que hoje em dia é casa de refúgio de jovens para aventuras, foi uma propriedade agrícola, onde havia bois, vacas, entre outros animais. Conta-se que esta casa deu trabalho a muita gente da região. A casa de fortes características alentejanas, que parece ter sido também local de pouso; estalagem para aventureiros e viajantes que iam do Algarve para Lisboa, tem sete chaminés. Só o número sete evoca o místico e o maravilhoso. Que terá havido neste local antes de ser construída a casa?
Nas histórias de encantar, há sete bruxas; sete olaias; sete bichas; sete saias; sete anões...Na geografia há as sete colinas de Lisboa e outras tantas sete colinas por esse mundo fora. Existem localidades ou zonas, ou mesmo ruas com o nome "sete moinhos"; "sete castelos" em São Domingos de Rana.
Numa zona que fica entre as dunas e o pinhal de Milfontes, as Pousadas Novas surgem como reminiscência de um lugar de descanso para viajantes do género do Dom Quixote!...Também podem sugerir as primeiras colectividades operárias, de reuniões de anarquistas ou mesmo de esconderijo de bruxas que fugiam dos inquisidores.

Saturday, January 19, 2008

Os meus sonhos e o Bairro do Montinho - Milfontes

Vou escrever aqui sobre uma experiencia que tive, há muitos anos, no final da minha infancia. Morava em Milfontes nessa altura e tinha o hábito de passear pela vila e arredores, depois de acabar as aulas, ao fim da tarde. Uma vez, decidi conhecer melhor o bairro do Montinho.
Saí da rua principal e meti-me pelas ruas daquele bairro em direcção ao rio. Comecei a descer e já só via arbustos, umas poucas casas; um vale lá em baixo e o rio. Mas intrigou-me uma casa em ruínas, naquele sítio, onde o vento uivava. A casa era pequena, só de rés-do-chão e já tinha ervas à volta e nos muros, para além de rachas e buracos. Senti um arrepio e que estava no fim do mundo. Estava em Milfontes, mas sentia-me afastado, no tempo e no espaço. De notar que quando entrei lá na zona eram três da tarde e quando saí e cheguei a casa já era noite. A minha mãe até ficou preocupada.

Sonho Lunar:

De madrugada, o vento batia forte e a cancela até se partiu com os movimentos. Custou-me a adormecer e ao sonhar vi-me de novo nessa zona do Montinho, como se tivesse saído do corpo em projecção astral. Passei por dois calceteiros que estavam ali na rua deserta e que me aconselharam o melhor caminho para lá chegar. Quando cheguei à tal casa em ruínas, eis que vejo um vulto; uma sombra, que parecia usar uma capa que voava: uma espécie de Sandman. Fugi daquele sítio apavorante e senti que o vulto me seguia pelas ruas de Milfontes. Toquei várias vezes à campainha e a cancela atrás de mim naquele movimento brusco a provocar um som de pesadelo. Nisto vejo o tal vulto a aproximar-se de mim, vestido de negro e a porta da minha casa abre-se. Vejo a luz da casa e o ser desaparece.
No dia seguinte, ao acordar, há um cachecol negro na minha cama, que nunca cheguei a descobrir de quem era. O vento estava mais fraco, mas deixou vestígios da passagem. A cancela estava toda escancarada.


Sonho Solar:

Dias depois, sonhei com essa zona outra vez, mas era um Bairro do Montinho diferente, com um vale luminoso e mulheres lavadeiras a estender os lençois na ribeira quase lá em baixo, junto ao Mira. Havia alegria nas poucas casas e nas janelas.

Wednesday, January 16, 2008

OVNI em S. Luis - Concelho de Odemira

Uma amiga minha de Milfontes, há cerca de dez anos, estava na casa da avó, em S. Luis (concelho de Odemira) quando viu uma luz branca, oval, que andava muito depressa...Foi numa noite de Verão, por volta das onze horas. Não se lembra de mais pormenores, até porque foi já há muito tempo.

Sunday, January 6, 2008

Abidis em Milfontes

Abidis - A lenda de Abidis entronca num mito, cuja primeira expressão escrita se reporta à fundação de Tartessos. Abidis ou Habidis são formas onomásticas modernas declinadas de Habis ou Abis, filho incestuoso do rei dos Cinetas, Gargoris, o melícola (inventor da apicultura e introdutor do processo de produção de mel). Foi o historiador Justino, no séc. II d.C.; quem, tendo por fundo uma narrativa de Tragus Pompeius, fixou o perfil hagiográfico deste herói tartéssico; abandonado recém-nascido para ser devorado pelas feras, seria alimentado por uma cerva, tendo crescido e vivido até à adolescência nos bosques. capturado e levado à presença de Gargoris, havia de ser identificado e reconhecido por este como filho e herdeiro.

in Portugal Sobrenatural, Volume I, de Manuel J. Gandra

Ora, com estas informações preciosas deste livro, chego a uma conclusão! Se foram os Cinetes, segundo o livro de Paulo Pereira, que fundaram Sines, e se um pouco a norte de Milfontes (Mellis Font - Fonte de Mel) fica a Angra da Cerva, está tudo explicado!

Sunday, November 18, 2007

"Casa Assombrada" de Vila Formosa, MIlfontes

O autor do blogue junto à Estranha Casa da Vila Formosa - Páscoa 2007

Tive oportunidade de subir várias vezes o caminho íngreme que vai do rio Mira(Vila Formosa), onde há umas casas de uns holandeses, até ao edifício abandonado, a que chamam "casa assombrada".

Esse edifício cor-de-rosa que está no cimo de uma colina, no meio do nada e que tem como companhia uma casa em ruínas, que ainda não sei bem para que servia, foi de uma Graça Campos, nos anos 50. Deve ter sido construído por volta dessa mesma década.

A casa tem uma escada em caracol, uma salinha com biblioteca e talvez...uma cave! Pelo menos foi o que consegui apurar, olhando pela janela, quando ainda não estava tapada por tijolos e ainda tinha lençóis brancos que se moviam e quase voavam com o vento...

O sítio onde está inserida a casa, é silêncioso e o vento é uma constante...O vento conta-me histórias indecifráveis, de tempos muito anteriores à construção do edifício. A família Campos seria alentejana ou de Lisboa? A casa faz lembrar aquelas construções maçonicas, como há muitas em Lisboa e arredores. Naquela altura, nos anos 50, estava muito em voga a arquitectura do Estado Novo, salazarista. Mas esta casa é diferente. Podia colocar esta casa à vontade, em certos países como Alemanha ou Áustria. Pode ter sido a casa de um maçon. como pode ter sido de uma pessoa pertencente a uma sociedade secreta qualquer(Rosa-Cruz; Carbonária; Golden Dawn; O.T.O.)

Qual o objectivo de construir ali naquele sítio "formoso", a uns metros de uma das mais belas cascatas do concelho de Odemira e numa zona verde, protegida, pulmão de Milfontes, uma casa tão sombria? Que segredos esconde a casa? Da cave parte algum túnel que vai dar aos túneis das furnas e grutas lá existentes? Terá a Ordem de Cristo sabido desta zona? Que energias e dimensões desconhecidas se abrem para a humanidade naquele lugar?

Friday, November 2, 2007

Numerologia e Vila Nova de Milfontes

Segundo a tradição Pitagórica da numerologia, todos os nomes têm um número correspondente. Até as localidades!...Até os sítios mais pequeninos!...Fiz os meus cálculos para Vila Nova de Milfontes e deu isto:

V I L A N O V A M I L F O N T E S
4 9 3 1 5 6 4 1 4 9 3 6 6 5 2 5 1 = 2

O número de Vila Nova de Milfontes é o 2.
Tem como planetas Vénus e o satélite Lua, mas nestas tradições conta como planeta.
Uma terra feminina.
O signo é Caranguejo.
Os arcanos do Tarot são a Papisa e o Julgamento.
Terra de pessoas sensíveis; intuitivas; com gostos artísticos e são por norma pacientes.
Dualidade

De notar a quantidade de histórias de sereias que se contam em Milfontes. As grutas e furnas das praias circundantes, como entradas no corpo da Mãe-Terra são evidentes.

Nossa Senhora da Graça - Afrodite? Vénus?