«...a magia negra invadiu os pinhais de Sines – Vale Marim, Bêbada e a Praia do Largo da Costa Norte – nas noites de sexta-feira. Os adeptos, com capas pretas, gritavam toda a noite aos deuses das trevas. Durante os rituais, matavam animais e a sua actividade foi descrita por populares da zona como "parecendo um filme de terror". »
in Correio da Manhã - 7 de Maio, 2003
Wednesday, February 27, 2008
Sunday, February 24, 2008
Um Pouco de Arte e Imaginação...
Thursday, February 7, 2008
Personagens de Milfontes IV - A Vendedora de Feijão-Manteiga
Trata-se de uma senhora já de certa idade que andava pela rua principal, junto à escola primária, a vender feijão-manteiga.
A senhora: «Vendo feijão-"mantêga"!»
Eu(criança), aproximava-me e gritava: «Não é feijão-"mantêga"! É feijão-"mantaiga"!» -
A senhora: «Vendo feijão-"mantêga"!»
Eu(criança), aproximava-me e gritava: «Não é feijão-"mantêga"! É feijão-"mantaiga"!» -
Personagens de Milfontes III - A Alemã
Encontrava-a no restaurante da Choupana, sempre acompanhada pelos cães pastores alemães. Era amiga do arquitecto que desenhou a minha casa de Milfontes. Nunca soube onde morava, mas eu imaginava que era junto do canal e das rochas, num lugar guardado pelos pastores alemães...Qual Cérbero guardião dos infernos!...
Esta mulher que tanto podia ser professora, como médica, como arquitecta ou até escritora tinha um riso bem alto, que eu julgava que era o riso de uma bruxa. Muito procurada pelos alunos mais velhos do colégio, para explicações (?) , nos finais de tarde lá estava ela, no café Paraíso ou na Choupana, a absorver o ar marítimo e a olhar para ocidente, bem longe, no mar. Tinha um caderno ou bloco de notas e ia apontando coisas, enquanto os "aprendizes de feiticeira" não chegavam...
Associava-a às caravanas de hippies alemães encostadas à berma, na praia de Milfontes, com aqueles desenhos coloridos de flores e símbolos anarquistas...
Geralmente os portugueses, com os seus preconceitos e ignorância, vêem os alemães como nazis e conservadores, mas muitos dos alemães descontentes com o neoliberalismo e autoritarismo da Alemanha vieram para cá, em busca de um paraíso a sudoeste...Uns vieram em busca do Graal. Outros vieram estudar a flora do litoral. Outros vieram dar aulas de línguas. Outros ainda vivem cá de uma maneira despojada, sem compromissos nem angústias. Esses pesadelos ficaram todos lá na Alemanha.
A alemã deve continuar por lá ou já deve ter ido para outro lado...Mas a imagem de uma mulher forte com óculos de intelectual, quase gigante e muito misteriosa mantém-se na minha memória. Os cães, esses, já devem ter desaparecido e as sombras ainda se devem ver junto ao farol, para quem estiver bem atento aos pequenos pormenores, quando o pôr-do-sol chega àquelas paragens...
Esta mulher que tanto podia ser professora, como médica, como arquitecta ou até escritora tinha um riso bem alto, que eu julgava que era o riso de uma bruxa. Muito procurada pelos alunos mais velhos do colégio, para explicações (?) , nos finais de tarde lá estava ela, no café Paraíso ou na Choupana, a absorver o ar marítimo e a olhar para ocidente, bem longe, no mar. Tinha um caderno ou bloco de notas e ia apontando coisas, enquanto os "aprendizes de feiticeira" não chegavam...
Associava-a às caravanas de hippies alemães encostadas à berma, na praia de Milfontes, com aqueles desenhos coloridos de flores e símbolos anarquistas...
Geralmente os portugueses, com os seus preconceitos e ignorância, vêem os alemães como nazis e conservadores, mas muitos dos alemães descontentes com o neoliberalismo e autoritarismo da Alemanha vieram para cá, em busca de um paraíso a sudoeste...Uns vieram em busca do Graal. Outros vieram estudar a flora do litoral. Outros vieram dar aulas de línguas. Outros ainda vivem cá de uma maneira despojada, sem compromissos nem angústias. Esses pesadelos ficaram todos lá na Alemanha.
A alemã deve continuar por lá ou já deve ter ido para outro lado...Mas a imagem de uma mulher forte com óculos de intelectual, quase gigante e muito misteriosa mantém-se na minha memória. Os cães, esses, já devem ter desaparecido e as sombras ainda se devem ver junto ao farol, para quem estiver bem atento aos pequenos pormenores, quando o pôr-do-sol chega àquelas paragens...
Tuesday, February 5, 2008
Personagens de Milfontes II - A Viúva de Negro
Quase todos os carnavais, aparecia junto das crianças mascaradas do infantário de Milfontes uma educadora de infância mascarada com um vestido , chapéu e véu negros.
Todas as crianças estavam vestidas com fatos normais de palhaços; cinderellas e zorros, mas aquela senhora era muito original!...Um pormenor: coxeava, como que arrastando a perna. Eu até ouvia na minha mente uma música sinistra a acompanhar aquela visão! Uma música com sons rurais longínquos e guizos.
Pergunto eu hoje, onde foi a senhora buscar influência para tal disfarce? Que se passou na cabeça dela para ter tal ideia? Que arquétipo estava presente no inconsciente dela? Sabe-se que esses trajes têm origem árabe, e se formos mais longe, da Ásia Central...Até posso imaginar as sacerdotisas das Montanhas do Altai assim vestidas, para os rituais...E o coxear? No concelho de Odemira há um lugar com o nome Fonte do Coxo. São tantas as personagens coxas dos livros...Geralmente, guardam segredos...
Todas as crianças estavam vestidas com fatos normais de palhaços; cinderellas e zorros, mas aquela senhora era muito original!...Um pormenor: coxeava, como que arrastando a perna. Eu até ouvia na minha mente uma música sinistra a acompanhar aquela visão! Uma música com sons rurais longínquos e guizos.
Pergunto eu hoje, onde foi a senhora buscar influência para tal disfarce? Que se passou na cabeça dela para ter tal ideia? Que arquétipo estava presente no inconsciente dela? Sabe-se que esses trajes têm origem árabe, e se formos mais longe, da Ásia Central...Até posso imaginar as sacerdotisas das Montanhas do Altai assim vestidas, para os rituais...E o coxear? No concelho de Odemira há um lugar com o nome Fonte do Coxo. São tantas as personagens coxas dos livros...Geralmente, guardam segredos...
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