Sunday, November 18, 2007

"Casa Assombrada" de Vila Formosa, MIlfontes

O autor do blogue junto à Estranha Casa da Vila Formosa - Páscoa 2007

Tive oportunidade de subir várias vezes o caminho íngreme que vai do rio Mira(Vila Formosa), onde há umas casas de uns holandeses, até ao edifício abandonado, a que chamam "casa assombrada".

Esse edifício cor-de-rosa que está no cimo de uma colina, no meio do nada e que tem como companhia uma casa em ruínas, que ainda não sei bem para que servia, foi de uma Graça Campos, nos anos 50. Deve ter sido construído por volta dessa mesma década.

A casa tem uma escada em caracol, uma salinha com biblioteca e talvez...uma cave! Pelo menos foi o que consegui apurar, olhando pela janela, quando ainda não estava tapada por tijolos e ainda tinha lençóis brancos que se moviam e quase voavam com o vento...

O sítio onde está inserida a casa, é silêncioso e o vento é uma constante...O vento conta-me histórias indecifráveis, de tempos muito anteriores à construção do edifício. A família Campos seria alentejana ou de Lisboa? A casa faz lembrar aquelas construções maçonicas, como há muitas em Lisboa e arredores. Naquela altura, nos anos 50, estava muito em voga a arquitectura do Estado Novo, salazarista. Mas esta casa é diferente. Podia colocar esta casa à vontade, em certos países como Alemanha ou Áustria. Pode ter sido a casa de um maçon. como pode ter sido de uma pessoa pertencente a uma sociedade secreta qualquer(Rosa-Cruz; Carbonária; Golden Dawn; O.T.O.)

Qual o objectivo de construir ali naquele sítio "formoso", a uns metros de uma das mais belas cascatas do concelho de Odemira e numa zona verde, protegida, pulmão de Milfontes, uma casa tão sombria? Que segredos esconde a casa? Da cave parte algum túnel que vai dar aos túneis das furnas e grutas lá existentes? Terá a Ordem de Cristo sabido desta zona? Que energias e dimensões desconhecidas se abrem para a humanidade naquele lugar?

Friday, November 2, 2007

Numerologia e Vila Nova de Milfontes

Segundo a tradição Pitagórica da numerologia, todos os nomes têm um número correspondente. Até as localidades!...Até os sítios mais pequeninos!...Fiz os meus cálculos para Vila Nova de Milfontes e deu isto:

V I L A N O V A M I L F O N T E S
4 9 3 1 5 6 4 1 4 9 3 6 6 5 2 5 1 = 2

O número de Vila Nova de Milfontes é o 2.
Tem como planetas Vénus e o satélite Lua, mas nestas tradições conta como planeta.
Uma terra feminina.
O signo é Caranguejo.
Os arcanos do Tarot são a Papisa e o Julgamento.
Terra de pessoas sensíveis; intuitivas; com gostos artísticos e são por norma pacientes.
Dualidade

De notar a quantidade de histórias de sereias que se contam em Milfontes. As grutas e furnas das praias circundantes, como entradas no corpo da Mãe-Terra são evidentes.

Nossa Senhora da Graça - Afrodite? Vénus?

Saturday, August 18, 2007

Os Corvos no Litoral Alentejano


Imagem tirada de http://www.naturlink.pt/

Em Odemira, há o jardim da Fonte Férrea, onde se dão passeios maravilhosos, por entre a mata, ou rumo ao chafariz do qual vêm águas ricas em ferro, avermelhadas, a fazer lembrar as águas de Glastonbury, no Reino Unido...O vermelho associado ao sangue do Cristo Andrógino; ao graal; ou ao sangue menstrual das sacerdotisas de Avalon.
Ora esse jardim era guardado por um corvo há uns anos atrás, o que dava um tom de mistério...Num sítio escondido, junto à casinha do proprietário, com as ferramentas de jardinagem, e junto àquelas árvores bem escolhidas, lá estava o corvo imponente e negro que nem as rochas do litoral!...
É no Alentejo e Algarve, onde há mais localidades e sítios com o nome corvo. No concelho de Odemira temos: Vale Corvo; Vale de Corvo de Baixo; Corvos...No concelho de Monchique temos Foz de Corvos. Temos Monte dos Corvos em Almodôvar...E por aí fora nesse sul tão místico!...
Segundo as lendas e tradições, o corvo sempre foi considerado com poderes sobrenaturais, com capacidade de se transformar em humano e com o dom da profecia. Era do corvo que se faziam amuletos ou talismãs...São Vicente foi levado numa barca por dois corvos até Lisboa. A bandeira de Lisboa tem os corvos e o barco a preto e branco. Os sacerdotes do paganismo de várias regiões faziam-se acompanhar por corvos. Os desenhos animados "Heckel and Jeckel" que tanto animaram a pequenada nos anos 60 e 70 tinham como personagens principais dois corvos. A série de televisão dos anos 90, de David Lynch, "Twin Peaks", tinha uma personagem estranha que se deixava acompanhar por um corvo e que ajudou o agente Dale Cooper na investigação da morte de Laura Palmer.
Mas porque é que no sul de Portugal, e principalmente no concelho de Odemira, há tanta referencia a corvos? Fica a questão em aberto...

Thursday, August 2, 2007

Nestes mares triangulares,
existe uma rede que nos tenta apanhar.
Nós, seres da bruma e do feminino
recusamos um isco sedutor
que vem de cima.
As correntes levam-nos para local incerto,
talvez para o começo de um mundo,
onde as nossas vozes que vêm das profundezas,
são as vozes dos pequenos seres
em luta contra gigantes donos de terras.
Riscamos as águas com lápis de algas
e sem notarmos bem,
há demasiada cor azul que nos entra
pelos corpos ansiosos de aventuras.
Os mares são sinais que uma mulher deixa
e os homens marinhos não alcançam
o centro impulsor marinho
espezinhado pelos gigantes solares...

André

Thursday, June 14, 2007

Lendas de São Torpes - Sines

Lenda de São Torpes, Santa Celarina e do primeiro templo cristão da Europa.

A lenda diz que o corpo lançado ao Arno atravessou meio Mediterrâneo e parte do Atlântico para vir parar a Sines, à costa da Junqueira-Provença [1], no ano de 67.

A lenda tem três versões: 1) a cabeça deu à praia portuguesa e o corpo à praia francesa de Saint Tropez, na Provença – a relação com os topónimos portugueses é evidente; 2) o inverso; 3) a Junqueira recebeu o corpo todo.

Consta que a cabeça do santo está actualmente no mosteiro dos frades mínimos de São Francisco de Paulo, em Itália.

A interveniente feminina da lenda é Celarina (ou Celerina, ou Catarina), uma mãe de família romana, víuva de um governador. Quando o marido morre, retira-se de Évora para Sines. Um anjo avisa-a em sonhos para ir receber o corpo do mártir à praia. Encontra-o na jangada de junco, velado pelo cão e pelo galo.

A parte com interesse histórico da lenda começa aqui. Sobre um corpo santo ou não, terá sido erguido em Sines um dos primeiros templos cristãos da Europa?

Celarina sepulta o cadáver junto da ribeira da Junqueira. Informado por ela, São Manços, bispo de Évora, manda erigir uma basílica no local [Arnaldo Soledade].

Vários autores medievais e modernos referem a existência e falam da importância do templo (Gerfou, Santo Andou, Usuardo, etc.). Alguns descrevem, inclusivamente, as suas qualidades arquitectónicas e artísticas. Muitos colocam-no na posição de primeira igreja cristã europeia (em competição com uma igreja em Saragoça e outra em Avinhão).

Vítor Torres Mendonça, n'"A Jangada de São Torpes", acha pouco crível que o templo tenha existido no local indicado.

José Leite de Vasconcelos acredita que se tomou pelo templo o dólmen da Junqueira.

A ter existido, são apontados dois agentes possíveis para o desaparecimento da igreja: os Bárbaros e os Mouros.

No final do século XVI, o Papa Sisto V ordena ao arcebispo de Évora que se certifique da existência das ossadas do mártir São Torpes na Junqueira-Provença. É descoberto um túmulo de mármore com um esqueleto humano, mas sem cabeça. Uma lápide certifica a autenticidade dos ossos.

As mesmas escavações descobrem um crânio – os trasladores afirmam ser de Celarina.

Um século depois, os ossos são removidos para a Igreja Matriz.

Ao longo dos anos, os devotos vão levando, cada um, a sua costela – e as relíquias, de São Torpes ou não, acabam nos altares domésticos dos sineenses.

Uma ermida erguida a Celarina na ponta leste de Sines, à beira-mar, ainda está de pé no século XVIII. Mas já não no nosso. Em 1969, o historiador Arnaldo Soledade identifica algumas pedras na casa de um particular.

[1] O lugar de São Torpes tem outra lenda. Onde agora existem dunas, houve uma aldeia que, certo ano, uma chuvada de areia soterrou; oito dias depois da tempestade, um galo ainda cantava debaixo da terra.


in http://www.mun-sines.pt/concelho/PC-lendas.htm#Lenda%20de%20S%E3o%20Torpes

Saturday, May 19, 2007

Vila Nova de Milfontes: Princesa do Alentejo

imagem tirada de http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusadiana.html


Porque será?

Segundo a lenda da origem de Lisboa, havia uma rainha que governava toda a zona de Ofiusa (terra das serpentes). Ora, Lisboa está na foz do rio Tejo: o rio das tágides, das ninfas que inspiram os poetas. Vila Nova de Milfontes está na foz do rio Mira. Mira pode não ter que ver com mirar (observar). Pode ter uma origem mais antiga, como por exemplo, Mir, que era o nome de um navio fenício. Tambem pode vir de mar: origem de morgaine, maria, morte, moura...


Portanto, Lisboa é a rainha - Lua Cheia - Deméter

Milfontes é a princesa - Quarto Crescente - Artémis

Junto a Milfontes há a Angra da Cerva. A cerva era o animal que acompanhava a Deusa Artémis na caça de pastores solitários. Vila Nova de Milfontes é género feminino, assim como Lisboa.Têm em comum vários arroios ou ribeiros subterrâneos. Lisboa tem a serra do Montejunto a uns quilómetros. Milfontes tem mais perto a serra do Cercal onde está a fonte santa: local onde apareceu a Nossa Senhora (moura encantada?)

A padroeira ou guardiã de Milfontes é Nossa Senhora da Graça...Mais uma vez, uma referência a uma entidade invisivel feminina que guarda as chaves do mundo intraterreno de Milfontes...

Angra da Cerva (Vila Nova de Milfontes) e Torre de William B. Yeats (Gort- Irlanda)

Angra da Cerva - Vila Nova de Milfontes - Google Earth


Estes dois sítios ficam no mesmo meridiano. As coisas que se descobrem pelo Google Earth...Angra da Cerva, em Vila Nova de Milfontes, que era local de meditação para um frade há uns séculos atrás. O castelo de William Yeats, o poeta e místico (situado perto de Gort, Irlanda) que era local de reuniões entre Yeats; uma Lady Augusta Gregory e figuras destacadas daquela região. Yeats e Augusta fundaram depois o Irish Literary Theatre. Esse castelo ou torre foi inspiração para a poesia de Yeats. Nos meus sonhos, eu vejo uma torre com um gigante na Angra da Cerva, como se houvesse uma ligação mágica ou invisível entre o litoral alentejano e a Irlanda.